Os continuadores

Os erros, omissões e marcas de carácter deixam sinais indeléveis nas relações pessoais. Mas também é inegável que esses erros e omissões podem ser parte de um processo de aprendizagem ao encontro de uma sensibilidade menos ego-centrada. No entanto, esse hipotético trilho de maturação encontra insuportáveis ironias. Dois momentos há - quero crer - que configuram essas ironias em matizes particularmente dramáticos.

1- Na morte de alguém, em que, como dizia Borges, vivemos a essa reflexiva dor de que nada nos custaria termos sido um pouco melhores ou mais gnerosos;

2- No fim de uma relação amorosa. Aí pode emergir a suprema a bizarria de uma justiça sentimental à luz da qual a redenção já só é possível com quem se segue. "Ama melhor da próxima vez", deve-se ouvir tantas vezes desses escombros. Conselho inteiramente sábio, concedo. Mas, se isto não é infinitamente cruel para quem foi menos bem amado no pretérito, sinceramente não sei o que é.



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