Nem mais II*

"O aspecto mais lamentável da noite eleitoral é o resultado de Manuel Alegre. Eu sei que a direita está quase toda radiante com a humilhação de Soares. Mas a humilhação de Soares é preocupante para o candidato e para o seu partido. O resultado de Alegre é preocupante para o país.

Um milhão de votos premiaram o pior dos seis candidatos, o mais impreparado e o menos alicerçado num projecto coerente. Alegre avançou por orgulho ferido e pouco mais. Demonstrou uma aflitiva falta de conhecimento de todas as matérias. Nem sequer sabia ao certo como tinha votado certas leis. E fez uma campanha que reuniu o pior da direita (o tradicionalismo bacoco) e o pior da esquerda (a retórica grandiloquente). Alegre fez uma campanha baseada em falsas legitimidades: a antifascista (serôdia) e a poética (deslocada). E conseguiu, depois de Otelo, o melhor resultado «contra os partidos» em trinta anos de democracia" (Pedro Mexia).

* Eu sei, a sequela do título configura um escusado paradoxo.



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