Pudor

Na sequência do texto de Pacheco Pereira sobre Louçã, Miguel Portas publica no Dn uma interessante crónica* sobre a relação de JPP com as figuras de esquerda. O registo do texto é analítico e bem conseguido para arqueologia do um fascínio. Mas, tal na como crónica de partida de JPP, até mais, o último parágrafo, pejado de agressividade, era dispensável. Percebam, o que a mim me fascina, e a esquerda também tem essa relação com o fôlego intelectual de Pacheco Pereira, é a essa incómoda admiração entre adversários, quase sempre inconfessa.

Permitam-me Borges:

Do outro tributo a um inimigo lembro-me nos últimos capítulos dos Seven Pillars of Wisdom de Lawrence; este gaba a valentia de um destacamento alemão e escreve estas palavras: «Então, pela primeira vez nesta campanha, orgulhei-me dos homens que tinham matado os meus irmãos.» E acrescenta a seguir: «They were glorious.»

O Pudor da História, 1952, Outras Inquirições

Ler, também o texto que Nuno Ramos de Almeida escreve no Aspirina B (adendarei outros subsídos ao tema).


*Obrigado ao homem das neves pelo link
ao artigo



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