Paradinha reflexiva por motivo de...

"é fatal, a meio, pôr-me com coisas."

Roubo esta frase, assim sem contexto, para prestar homenagem, à vez, ao Afonso Bivar (extensível ao blog) e à contingência que a faz sublime. Nesta pequena frase está todo um tratado sobre o destino, a tragédia e, se quisermos encarecer os termos, sobre a teleologia da catástrofe. Duas ideias simples ressaltam pujantes.

1- A fatalidade tem mais a ver com o meio das coisas do que com os fins, estes sim, são meros muros de Berlim, edificações que caem sintomáticas quando as razões da sua erecção (a palavra não está tomada, acho) há muito cessaram de fazer sentido.

2- A fatalidade tem na biografia uma constante: nós, sujeitos aliados a um nome, e, mais ou menos extensivamente, as coisas com que "fatalmente" nos pomos (devaneios, manias, pessoas, efabulações, cinismos, ansiedades, orgulhos, ambições, desalentos, you name it). A incómoda persusasão de que nada está predestinado senão uma lírica vocação para a asneira.



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