Aparições iconoclastas

Via mail, sou abordado por uma mensagem abastecida de humor e sentido de presença. Propõem-me que aceite ser fotografado para um projecto que visa dar cara aos fazedores da bloga. Sem muito hesitar, recuso. Não só por caridade (fica sempre bem este tipo de auto-depreciação). Para mim um dos fascínios da blogosfera remete para a natureza incorpórea da comunicação no modo como a densidade estílistica e biográfica dos sujeitos se desenha - mesmo quando algumas das faces são conhecidas (quando não o fascínio pode dialogar com o enigma). Ou seja, as corporalidades ausentes ou desconhecidas acrescentam algo, creio, ao mesmo tempo que ilibam a espuma comunicacional da precisão do corpo consentido. Não obstante a minha esquiva pessoal, reputo de genial e fadada ao sucesso a ideia que move os autores do projecto. Mais: infelizmente sou demasiado curioso para não ir espreitar.

Ler esta a reflexão do Luís Rainha sobre engates/enlaces, questão que toca ao de leve esta, a da identidade corpórea.



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