1:1 Notas soltas



1- O Porto jogou muito e bem, bom tecido de bola, jogadas deslumbrantes, joagadores de excepção. E no entanto o empate com o Sporting para mim é lisonjeiro. Modesto? Humilde? Não, apenas tenho a noção do perigo que mora lá atrás. A defesa do Porto está bem para um futebol de ataque: 90 minutos no meio campo do aversário, não como ideologia, mas por carecer de nunca ser experimentada.
2- É bom que o Porto seja eliminado daLiga dos Campeões porque com aquela defesa as humilhações perante os grandes da Europa podiam colocar-nos na casa dos sete de Vigo. Estão a imaginar o Chelsea ou o Barcelona com Ricardo Costa, Pepe, Pedro Emanuel e César Peixoto pela frente? Que fartote.
3- C.A percebeu a importância de um médio defensivo e Paulo Assunção tem resultado muito bem. Mas atenção, Paulo Assunção não tem a versatiliadade e a capacidade de ler o jogo de Costinha. Não podemos esperar dele que no decorrer da partida se desdobre, se necessário for, como terceiro central. Razão porque no comparativo com as pretéritas épocas estamos ainda mais dependentes da qualidade dos dois centrais. Dada a amostra (Pepe, Pedro Emanuel, Ricardo Costa, Bruno Alves) esta conclusão configura-se uma tragédia digna da pena de Sófocles.
4- Apesar de estar mais capacitado para jogar com os pequenos do que com os seus pares (escuso de lembrar a patética derrota com o Benfica) o Porto pode bem ser campeão nacional. No entanto, o simples facto de uma equipa com tamanho poder financeiro, poder de aquisição, massa adepta, história recente e, digamo-lo, com tamanha mitologia heróica de minoria oprimida, ter que lutar pelo campeonato nacional português com Benfica e Sporting é humilhação bastante para qualquer postista ciente da desproporção entre meios e resultados.

5- Falta liderança, falta manha, falta a inteligência de saber usar o bom futebol (que existe e muito, nunca disse o contrário) para granhar jogos. Perante o quadro do início de época cintila, gritante, a ausência de Jorge Costa. Só por essa demonstração da estreiteza do seu saber futebolístico jamais perdoarei a C.A. E como se vê, o deus futebol não perdoa os que veneram outros ídolos (fala do deus de barro:"futebol de ataque" - ainda por cima nos momentos cruciais é cobarde, como se viu em Milão).
6- Como podem perceber não estou muito entusiasmado. Ando triste. deprimido. Em crise identitária. Mas é nestes momentos, em que mais precisamos, que o futebol envia um dos seus para nos doar algo que só marginalmente trafica com pontos, campeonatos e flash interviews. O Porto até podia perder todos os jogos - quero mais é a saída de C.A - mas, por favor, por piedade, ponham a bola nos pés do Quaresma. E deixam-no jogar. Neste momento só Ronaldinho é capaz de magia comparável. Elegância: não conheço. Anotem isto: a bola de ouro chegará um dia.



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