Toyota

São muitas mortes elegantes, exóticas e românticas que o imaginário de Moçambicano inspira. No entanto, cá chegado, o final mais reiteradamente se insinua é estupidamente tecnológico: atropelamento por Toyota Hiace. Explico. É que não há maneira de eu me habituar a olhar para o lado de onde vêm os carros. Aqui, por influência das ex-colónias limítrofes, circula-se pela esquerda como em Inglaterra, sem que, como lá, possamos contar com as setas no asfalto a indicar a proveniência dos metais pesados. Quanto às Toytas Hiace -- que aqui funcionam como transportes públicos, as chapas -- são marca prevalente da paisagem citadina. Nelas se substancia toda uma mitologia da ordem social passível de germinar quando o caos e a precariedade tecnológica consentem nos rituais flexíveis de um pós-industrial decadente.



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