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Não se preocupe, a sapatilha dá de si.
"A sapatilha dá de si." Desta vez o dito corriqueiro ficou-me. Dá de si. Estranho encontrarmos uma expressão tão bela no comércio do calçado. Não sei se a engenharia de materiais está preparada para acolher as consequências simbólicas de um "corpo" que em prol de outro "dá de si". Fiquei-me inevitável. A matutar no que dei de mim. No que dou de mim. Curiosas ideias me passaram. E nisto eu estava. Mas a rapariga da sapataria é que não estava para lirismos: "Então? Quer que vá buscar o acima?"



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