Silêncio

A superioridade moral dos portistas afere-se no silêncio sobre as falhas dos outros, no reconhecimento de que há um ser humano em cada guarda-redes e na asserção informada de que ninguém está livre dos seus momentos. A imortalidade de Baía, esse homem que também falha, fez-se de muitas mortes e, sobretudo, de muitas tentativas de homicídio. Foi a capacidade de resistir à desgraça e à crueldade de muitos que lhe concedeu o estuto sobre-humano que os anos fracassarão em apagar. O modo como muitos o vilipendiaram, anos a fio, vigiando a mínima falha, negando-lhe a honra e o valor, cristalizou a imagem que talvez ele não mecesse, a imagem de um jogador transcendental, um ícaro cuja ousadia de voar comoveu o amparo dos deuses. O Ricardo, esse, precisa agora do apoio daqueles que ainda há uns tempos o carregavam em ombros. O apoio que nós deste lado nunca deixámos de dar ao nosso herói.

Para este Ricardo.



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