Deitar os búzios

A submissão ao tangível destrói
o sonho da linguagem. Luís Quintais
Haja Quintais. E que dizer, por exemplo, da memória das línguas que se tocaram em tangíveis coreografias? As línguas -- que não as outras -- rugosas e vermelhas com gosto a pastilha de canela. Não é isso submissão a um tangível numa linguagem onírica? Dir-me-ão fugaz a memória do tangível. Falarão do estatuto já-espectral do ex-palpável (ou docemente apalpável). Matéria volúvel posta ao uso das descrições que dão carne à nossa história. Muito bem. Mas bem sabem: as liguagens sonhadas e memoradas perseguem-nos e esmagam-nos tanto quanto são abolidas pelos mundos da vida. Deitando os búzios com a outra mão, poderíamos aventar, ao invés, que o refúgio no tangível -- o prosaico, logístico -- não olvida esse outro tangível, feito real, porque espesso nas suas consequências memorativas, um tangível pós-lapsário que encontra idioma nos sonhos livremente esboçados.
Sob o peso as edificações da nossa tribo, pois.



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