A auto-imolação como vaidade

Para muitas pessoas a auto-comiseração trazida por um abandono confunde-se, talvez secretamente, com esse desejo impossível de imitar quem parte. É uma espécie de tranquilidade relacional -- a assunção de uma inevitabilidade -- nutrida pelo desassossego auto-reflexivo. Como quem diz: "Compreendo que me abandones. Na verdade invejo-te. Eu terei que viver comigo até ao fim." Pergunta-se: precioso catalizador de mudanças para que cicrano não se repita relacionalmente naquilo que dele menos aprecia? Talvez. Concedo. Mas, por outro lado, e isso é curioso, esta inveja pode corresponeder a algo de insuportavelmente ego-centrado, assim reverta para esse antigo e inacabado projecto da negação do eu. A vaidade também é isso.



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