Vamos fugir?

Quando as pressões sociais eram mais exuberantes podíamos sempre planear uma fuga da vil sociedade e das suas aleatórias querenças. Hoje as expectivas e os ditames de sucesso assomam como pressões subtis e intrincadas onde os afectos tantas vezes se afundam. O "vamos fugir!" faz ainda todo o sentido, talvez mais. A consciência do cárcere é que se perdeu à medida que as grilhetas dramaticamente se tornaram constutivas das aspirações das gentes. Os planos de fuga merecem-me ardor, mas a esquina, a ilha ou o Brasil não bastam. À sua maneira Heideger e Foucault bem lembravam: seria preciso fugir daquilo em que nos tornámos.



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