Relativismos

O relativismo cultural, justamente conotado com os antropólogos, é frequentemente acusado de levar o juízo moral a um extremo insuportável. Denuncia-se um crivo flexível, culturalmente calibrável, a partir do qual tudo é justificado e justificável. No fundo, o relativismo cultural mais não faz do que preconizar a compreensão das práticas culturais e das instituições sociais a partir dos mundos de sentido de onde germinaram e vivificam. Obviamente, isso leva a que se acolham e compreendam muitas manifestações culturais que de outro seriam peremptoriamente rejeitadas em nome das nossas próprias tradições. No entanto, tal não implica abraçar toda a diferença, não implica aceitar e celebrar a excisão do clitóris apenas porque existe e faz sentido para muitos homens e mulheres (sim, as hegemonias actuam assim). Implica, isso sim, o esforço de conhecer a diferença nos seus termos.

Bem, o que eu queria mesmo era estender o tapete a esta citação do Clifford Geertz que cala muita crítica mal informada ao relativismo:
Temos que aprender a aprender o que não podemos abraçar (Geertz, 2001: 81).
Pois. O relativismo cultural também é isto.

Por exemplo, eu percebi que nunca poderia ser benfiquista depois de estudar afanosamente a história do regime ditatorial português, isto com uns seis anos.



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