Paris IV

Tal é a panóplia de artefactos culturais que se foram prostrando na celebração de Paris que se torna praticamente impossível falar dela sem cair nos clichés mais que profusos. No entanto, a salvação existe. Tenho para mim que a ansiedade da vulgaridade e da repetição se concilia com esse estranho sentimento de singularidade. Como? Aceitando tão-só que tudo o que nos resta, e não é pouco, toma o nome de apropriações criativas. Refiro -- com este cliché nas minhas reflexões -- os modos de tornar "nosso" aquilo que é e foi património de tantos. Sobre Paris, não lograr um cliché é inventar (sentido pejorativo) ou passar ou lado. Por isso, reinventar humildemente as geografias do deslumbre é já criar universos de sentido, colisões de corpos e lugares que recapitulam a coreografia dos começos.



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