Paris II

Passseio junto ao Sena. Pessoas e momentos fascinantes disputam, como bençao, o testimonio das aguas correntes. O tango e o vinho partilhado sobre a calçada ilustram os ensejos que ali se espraiam. Sigo leve. Seguia. Melhor dito. Um momento perturbou-me o sossego flaneante. Olhava eu para um casal lindissimo quando, na descompassada coreografia de um gesto, vi o fim da historia daqueles amantes. Isso mesmo. No momento em que ele largou a bebida para a abraçar ela largou tudo e ofereceu-lhe os braços. Mas o olhar, esse, so eu e o Sena o vimos.

Nao sei como descrever, os olhos dela fugiam dali numa melancolia estranha. Sem nome ainda achado, quero crer. Sei que parto de muito pouco, peço-vos, ainda assim, que acreditem no que dali se me fez luz. Aquela mulher sentada junto ao Sena, sorvendo o vinho e poesia, abraçada pelo seu mais que tudo, sentiu que acordara definitiva dançando nestas palavras que roubo de memoria a Duras: Estava la tudo, mas nao valia a pena. Esse olhar doeu-me. Sobretudo por saber que naquelas margens todos os outros olhares se dedicavam a efabular eternidades. Um deles era o do rapaz que a abraçava. Mas esse eu ja não vi.



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