Londres

Conheço melhor Londres do que Madrid. E isso basta para que, assim de repente, sem olhar a números, este atentado tenha mexido mais comigo. Estou incomodadíssimo. É terrível. Absolutamente impressionante como a nossa percepção da destruição e do sofrimento depende das nossas referências de partida. No fundo, quando exercitamos algo próximo da compaixão, a maior parte das vezes tudo o que fazemos é alargar o nosso egocentrismo e auto-referencialidade viciada como forma de compreender o sofrimento de outrem. É por isso que as vidas ocidentais valem mais no "circuito do mesmo" montado pelos media. É por isso que a destruição dos lugares familiares nos comove com maior intensidade. É por isso que nestes dias, em que os G8 se reuniam, África se arrisca a ser, uma vez mais, o continente esquecido. Longe dos media e dos jornais diários, as mortes silenciosas e a destruição por lá seguirão, suficientemente longe das nossas referências emocionais.



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