Tantrismos passionais


Por sortilégios vários ainda não consegui ver o 2046. Mas a banda sonora há muito que roda ali no leitor.

De repente dou por mim com um imaginário musical que não quer ser lesado por uma história, por personagens, ou por representações imagéticas. Já não se trata de um aquecimento para o filme, creio que a minha experiência musical se passa já no campo dos preliminares orgásticos. E de facto as soundsacapes são mais assim: respeitosas da subjectividade, alojam-se cirurgicamente nos contornos da nossas entranhas biográficas, seguindo-as. Não há finais maravilhosos, eventos apocalípticos, nem incidentes processuais. Plasticina sensorial, diria. Ver o filme vai ser, por assim dizer, como "sair à rua": o irresistível confronto com os sortilégios alojados alhures.



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