Seio contra seio


Por caso já conheci uma rapariga que se entregou a relações com outras mulheres depois de várias desilusões com homens. Não durou. Mas essa ideia totalitária, forjada pelo sensível orgulho masculino, segundo a qual as relações entre mulheres só se podem conceber como produto da experiência desiludida com o género masculino, não podia ser mais patética. Custa à masculinidade dominante aceitar que existam, por um lado, mulheres para quem o amor e o desejo sempre vestem de feminino e, por outro, mulheres que simplesmnete se apaixonam por pessoas. A ideologia patriarcal, cristalizada por Freud, na ideia que o mundo sexual, afectivo e identitário se estrutura a partir do confronto iniciático com o falo, está bem embutida na ideia máscula que consagra as lésbicas como mulheres que começaram por ser mal amadas pelos homens. A ideia é tão patética que, por essa lógica, no limite, a desilusão como o género humano -- o tal péssismo antropológico tão estruturante de uma certa direita -- era bem capaz de fazer os animais domésticos tornarem-se, de repente, figuras mais cativantes. Tenham juízo.



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