Coletes

Há um ano foram as bandeiras nacionais por todo o lado. Agora, instalada que está a nostalgia do EURO 2004, a reboque do novo código da estrada, muitos portugueses ostentam orgulhosos o colete reflector no banco da frente. Quero desconfiar que esta proclividade para ostentar símbolos por todos posssuídos corresponda a um traço que, depois de tantos anos de ditadura, ficou no inconsciente colectivo portuga. O colete reflector assim celebrado representa, creio bem, o secreto revivalismo dos uniformes. Psicanaliticamente falando, o banco da frente surge como substituto ao corpo do condutor que, ansioso, lá vai esperando pela primeira oportunidade para fazer figura com as novas cores da nação.



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