Aspirantes a génio

As biografias dos génios intelectuais e literatos estão ligadas a um arquétipo que tem exercido inegável fascínio nas sucessivas gerações. Por isso, a reputação de génio há muito transvasa com a identificação de um certo comportamento excêntrico, anti-social, irascível, maledicente do povo e da mediocridade envolvente. Cientes dessa aclamada "história de genialidade" muitos literatos, determinados a criar a sua própria reputação, cedo incorporaram os traços de carácter passíveis de facilitar o trabalho ao detector de génios. Desgraçadamente, como lembrava Pessoa, a ambição da genialidade não se serve com vontade narcísica nem com "acções de formação", sejam elas quais forem:
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe ?, nem um (...)


O problema é que, para certos perfis biográficos, falhando do génio pouco fica. Não surpreende, pois, que para os aspirantes a génio o epitáfio mais recorrente esteja bem próximo desta curta biografia de mármore: "Uma má pessoa que leu uns livros".



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