Violência doméstica


Nos rituais pelos quais os sujeitos se compõem belos há experiências algo dolorosas, a depilação, as dietas, os escaldões... Neste particular as mulheres são mais martirizadas, quer porque a pressão social sobre os seus corpos é superior, quer porque os modelos difundidos se tendem a distanciar mais dos seus "corpos reais" (isto é, corpos onde crescem pêlos, etc).

Uma das frases mais enganosas que circula na nossa vida social é aquela tantas vezes proferida nas vésperas do Verão: "eu só quero sentir-me bem comigo mesma/o". Tretas. A questão é que, mesmo na intimidade dos quartos, perante o espelho, há uma multitude de olhos que são convocados. Sejam eles os olhos específicos de outros significativos - o namorado e assim... - , sejam os olhos anónimos. Todos espelhando um consenso lato acerca das formas mais valorizadas de belo. Portanto, o "comigo mesmo" é mediado por uma pletora de valores e projecções culturais. Na fotografia que vos trago Laetitia sofre só, pela sua própria mão. Mas o que vemos não é nem por sombras auto-flagelação. É, isso sim, uma flagelação consentida, socialmente prescrita. No que à própria imagem diz respeito, em frente ao espelho não há masturbação estética, só sexo em grupo ou auto-erotismo com testemunhas, se é que me percebem .

Só me quero sentir bem comigo mesmo/a... Pois. Nem os budistas.



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