Mandamentos

"Ajoelhou, tem que rezar!"

Desconheço a origem desta expressão. Reparo no entanto como o seu sentido original, aparentemente litúrgico, insinua conotações fortemente sexualizantes para o nosso senso comum. Na verdade, a alusão à prostração religiosa resulta numa forma deveras irónica de evocar as práticas sexuais que, recorrendo à tal língua morta, podemos chamar fellatio e cunnilingus (sobre o uso destes termos erudito-temerosos ver a discussão ente o Luís e o Afonso).
Há aqui uma ambiguidade que nos coloca entre a devoção religiosa e o desejo carnal. "Ajoelhou, tem rezar!". Talvez esta seja, afinal, a versão embrutecida de um outro apelo mitológico. Um mandamento lírico nascido da devoção, do desejo e do pranto:
"Se não sabias amar, porque despertaste o meu coração adormecido?"
A Voz Secreta das Mulheres Afegãs - o Suicídio e o Canto, Cavalo de Ferro.



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