Eremita

Vejo-os, a eles e a elas, a passearem-se nas ruas com ar de abandono. Caminham para comprar o pão, o jornal e para, de quando em quando, se irem sentar anónimos no canto de uma plateia. Passam as noites entregues a teses, livros, filmes, e escritos diversos. Em comum têm o hábito da solidão. Freelancers de afectos, sofridos pós-traumatizados, ferreamente disciplinados ou apenas pouco frequentáveis do ponto de vista social, compõem uma figura que veio para ficar: o eremita urbano. Têm um pathos que admiro do ponto de vista da estetização da identidade. No entanto, não os posso acompanhar no estilo. Tenho esse defeito. Acho graça às pessoas e vicio-me sem assinalável resistência nessa coisa de intensidade variável a que os sociólogos gostam de chamar afectos. Como se não bastasse, há os devaneios românticos na forma pensada, rarísssimos, marcantes. Guilty. É ver-me trautear com a Beth Gibbons: "mysteries of love where war is no more I'll be there anytime". Sou decididamente fraco.



<< Home