Enganos

Quando a funcionária da biblioteca me devolveu a requisição eu já tinha aberto espaço na mochila para um grosso volume: "Parece que há aqui um engano", disse. Habituado a que estes lapsos me sejam justamente imputados, comecei por confirmar a cota. Nada. Aparentemente tudo bem. Insisti. Nada. Demorei alguns segundos a aperceber-me do insólito equívoco que ali raiava. Abrenúncio. Descobri. Então não é que ao preencher a requisição troquei a entrada "requisitante" por aquela onde deveria introduzir "autor"? Eis pois o quadro com que a atónita funcionária se deparou:
Requisitante: Max Weber
Autor: Bruno Martins
Ao chamar aquilo de engano a amável senhora recorreu a um generoso eufemismo. O facto é que a minha crónica desatenção montou uma cena inverosivelmente anacrónica e insuportavelmente onírica: Weber a requisitar um livro meu. Pedi desculpa pelo sonho molhado e corrigi, remetendo-me à minha condição de melancólico revisitante dos clássicos.



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