Breakfast at Tiffany's


Baudelaire dizia que a alegria é o mais vulgar ornamento da beleza, a melancolia a sua mais ilustre companheira. A floral beleza de Audrey Hepburn jaz também naquilo que ela esconde numa incessante fuga para a frente. Gosto de olhos escondidamente tristes. Não porque me atraiam as pessoas tristes, não é isso, cativam-me, isso sim, os segredos de quem performativamente se faz leve. De notar que isto não se configura como algo mais do que uma curiosidade antropológica por histórias de vida guardadas das montras do social. Mas, curiosamente, em análise retrospectiva -- bem restrita, diga-se -- reparo que também ao nível sentimental me movem raros olhos tensos, olhos com história, história velada, olhos biográfica e sentimentalmente densos.



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