Baliza Adentro


Jogador da casa desde 2001, Frank Lampard é uma poderosa expressão de como a economia de mercado, qual perfume enfaticamente dito francês, ainda que feito em Singapura, não prescinde dos símbolos de natividade. Aquele golo em que ele, sempre em desequilíbrio, recebe a bola no peito, deixa que ela passe para as suas costas e roda, fulminando a baliza, em vez de se estatelar na relva - ou nos tacos do pavilhão - com um comum mortal, é absolutamente obsceno. (Não sei porquê lembrei-me agora de um pontapé de bicicleta do Domingos Paciência em que o homem cai de joelhos). Mas não tenho dúvidas, este golo de Lampard, não sendo excepcionalmente exuberante (menos do que um do Mendieta aqui há uns anos), é das coisas mais difíceis de se fazer que andam por aí. Como diria Mourinho sobre uma exibição de Ricardo Carvalho, o absurdo em futebol merece a nossa reverência.



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