Vibratos

"Fremem em mim os nervos vibrados de todos que vejo que sentem,
Correm-me dos olhos as lágrimas de todos que choram porque se separam,(...)
Ó doença humanitária dos meus nervos vibrando cheios de outras pessoas,
Volúpia de gozar e sofrer através das hipóteses dos outros... "

Álvaro de Campos
É assim mesmo. Nas novelas, nos filmes, nos romances, nas confidências, jubilamos e sofremos com as hipóteses dos outros. Acompanhando-as expectantes. Mas nisto de projecções de querer, lembro sempre a história daquele poeta mexicano que todas as semanas ia ao cinema ver o Casablanca, sempre com a resilente esperança: "pode ser que desta vez eles fiquem juntos no fim". As hipóteses dos outros. Pois. Às vezes dou por mim a visitar essa sala com a afeição do poeta. Sento-me num canto escuro. E finjo que são os actores que estão na tela.



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