Setúbal: sofrimentos clandestinos

Quinta, dia 31 de Março, em Setúbal, irão ser julgadas duas mulheres pela pela prática de aborto. Há 20 anos que tal não acontece em nenhum país da Europa para além de Portugal.

A lei não precede quem a aplica, ela existe e vivifica pela boca de quem a cita. Os Juízes que citam e recitam a lei nas suas sentenças são, de algum modo, os seus guardiões, são, afinal, quem a torna substantiva. Quando a eventual citação de uma lei -- que levaria à reclusão de mulheres acusadas de terem praticado abortos clandestinos -- atinge um nível de absurdo social, em que ninguém tem a coragem de a citar, ou de exigir a sua aplicação, é a insustentável exuberância da barbárie que se mostra, mais uma vez, para vergonha de todos nós. Para suprema humilhação de algumas mulheres.

31/03 Concentração frente ao Tribunal de Setúbal a partir das 9h00.



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