Senhora do Destino

Há imensa gente que vê novelas. Há imensa gente que tem blogs. Mas, curiosamente, as únicas expressões culturais que se vêm por essa blogosfera afora esmiuçam livros, poesia, cinema, teatro, ópera. Como diria Adorno, só alta cultura. Será apenas porque as novelas se vêem mas não se entrenham na reflexividade e nas emoções? Duvido. É, creio bem, a mais pura vergonha pseudo-intelectual. Afinal, com maiores ou menores ambições estético-expressivas, é a complexidade da vida que se reproduz nas novelas. Eu jamais renegarei à relevância biográfica do Pantanal, da Dona Beija, do Louco Amor, do Roque Santeiro, da Tieta... Estou certo que esse ritual diário, por muitos ainda preservado, ocupa um espaço nas histórias pessoais que tende a ser silenciado no espaço público. Mais silenciado ainda se esse espaço público assenta fortemente nas vaidades intelectuais e na estetização de um planar sobre a populaça. Caso do mundo dos Blogs.

Bem se diz: Portugal: país de armários.



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