Post Traumatic Football Disorder

aka "síndrome Mourinho já treinou aqui"

Porto:0 Nacional:4
Estavam à espera um silêncio cobarde? Esqueçam. Vamos lá a isto. Ainda que as citações sejam coisa de pseudo-intelectual, nunca me esforcei para lhes resistir. A respeito do jogo de ontem ocorre-me evocar Tony Carreira: "sinto um vazio em mim". Não podemos ganhar sempre. Constatação dolorosa, acreditem. Por outro lado, e como já se adivinhava, o período pós-Mourinho é talvez a mais cruel das patologias que o futebol conhecerá, a Post Traumatic Football Disorder. ─ Bem, ter na equipa o Ricardo à cata de centros não deve ser muito melhor. ─
É bom lembrar que quando Mourinho saiu do Leiria, Mário Reis, o sucessor, só resistiu duas semanas. Parece que no intervalo de primeiro jogo os jogadores andaram à porrada. Sintoma, pois claro, de um fenómeno mais amplo. É a essa luz que temos que perceber Del Neri e Fernandez. Mesmo assim a gestão da época pelas bandas do Dragão tem sido má demais, e, para cúmulo, às questões lúdico-desportivas junta-se a evidência de um balneário psicologicamente esfrangalhado – as agressões disparatadas são disso expressão. Psicanaliticamente falando, falta ali o falo do Mourinho, falo que era tão castrador de veleidades anti-grupo, como produtor de jogadores insólitos (lembram-se de um certo Postiga?). Mourinho faz-nos acreditar que somos melhores do que somos, e isso faz-nos, de facto, melhores. A isto se chama "regime de verdade". Sim, cito Foucault, para variar. O problema é voltar à verdade após a queda desse regime outrora sustentado por um génio que a itinerância acolheu.

Uma coisa é certa, é incrível como é que com esta época desgraçada o Porto ainda está perto dos primeiros lugares. Se, por milagre, ganharmos o campeonato, os festejos serão efusivos. Depois de tantas vezes ganhar esmagando, queria experimentar como é que é isso de ganhar sem merecer.
Não foi ontem o caso do Nacional, muitos parabéns.



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