Chamaste?


Passeando pelas tortuosas mas apetecíveis linhas de Judith Butler, encontrei aquilo que creio ser a versão pós-moderna do "Are You Talking to Me?"
“You can call me this, but what I am eludes the semantic reach of any such linguistic effort to capture me.”
Se seguirmos as recurvas palavras da feminista, a questão de fundo é esta: nenhum sujeito se cinge completamente à identidade por que se reconhece a si próprio e por que é reconhecido pelos demais. Perturba-me que as pessoas celebrem o fatalismo daquilo em que se tornaram, vincando-o, fechando-se amiúde em traços que acabam por ferir a sua vida social e afectiva: "O que é que eu hei-de fazer?, sou assim!"
É certo que todas as histórias de "viagem" deixam traços, às vezes fortíssimos. No entanto, quando -- como quase sempre acontece -- os nossos ideários dependem da abertura à mudança e aos "outros significativos", há que ter o jogo de cintura e a capacidade de assentir o quão perigosa é a prematura resignação de nos chamarmos pelo nome, ao jeito do maître: "A já avançada idade ensinou-me a resignação de ser Borges."



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