"As mulheres portuguesas são parvas"

Apesar do título provocativo, este artigo do público artigo em que, por uma vez, Maria Filomena Mónica se absteve de destilar ódios pessoais, até está bem gizado. MFM enfatiza como se perpetuam as desigualdades entre sexos no investimento que é feito na lida da casa e no cuidado dos filhos. Chega então o final apoteótico:
Ao longo dos anos, tenho ouvido de tudo, incluindo mulheres que dizem estar contra a emancipação feminina. Pensei então que não valia a pena perder tempo com tontas. Mais madura, considero hoje que o melhor é retirar-lhes o direito ao voto, o direito ao divórcio e a protecção legal contra a violência doméstica. Se gostam de ser escravas, que o sejam. Acabou-se o tempo das contemporizações. Quem luta, têm direitos; quem se resigna, fica de fora.

A esta hora as "Mulheres em Acção", devem estar a reunir de urgência. "Nunca fomos tão insultadas", dirão certamente.

O nome Mulheres em Acção é aparentemente cómico para uma associação que defende a família tradicional e a conformação da mulher aos modelos culturais tradicionais (aka, patriarcais). No entanto, de modo sintomático, este nome mostra o quão pertinente é uma distinção há muito feita por Boaventura Sousa Santos. Diz o sociólogo que a transformação social não depende da oposição entre estrutura e acção, como muitos gostam de afirmar, depende, isso sim, da oposição entre acção conformista e a acção emancipatória. E isso faz toda a diferença (não confundir com o slogan do Bloco).



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