As mamas do antigamente

A propósito da dúvida que levantei na noite dos óscares, a Aguarela disserta sobre as mamas de Salma Hayek. À luz das teses desta atenta rapariga os seios da actriz representarão ainda um resquício da época pré-silicónica.

A nostalgia pelas mamas do antigamente configura-se em duas modalidades. A primeira, é a modalidade daquelas/es que celebram o natural em detrimento da artificialidade do silicone. A segunda, é a modalidade de quem não esquece a forma das mamas idas. E, nesse caso, interessa pouco se são perfeitas, interesa pouco se e como descaem, interessa pouco o contraste entre a pele e a cor do mamilo. Nesta modalidade de nostalgia, aquilo que é impossível de ser esquecido resulta, como dizia o Chico Buarque, do vazio, sim, o vazio dos seios que ficam marcados nas mãos, os seios que ficam cravados na memória do corpo. Nada que se perceba completamente sem falar de amor. A estética é reduzida à sua "real" insignificância. Aqui sim, sem solipsismo tentável, as mamas "aparecem" como cruéis metonímias do tanto que se perdeu.



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