2 em 2

What shall we do to-morrow?
What shall we ever do?
A Terra Desolada. Hesito na escolha da melhor tradução para esta passagem de Eliot. Como dizia Foucault, cada cultura vive sob o peso das suas próprias edificações, cada identidade, cada pessoa, cada espaço-tempo de uma escolha é constrangido e constituído na contingência de uma tribo. Sansão foi um caso singular, escolheu o não-ser criando ruínas. Esmagado pela história, cruel e traiçoeira, foi-se, derribando consigo os símbolos pétreos da dominação. Hesitando na tradução que fazemos de tudo, a questão mais funda será sempre escolher o que fazer amanhã, pensando também no que jamais faremos. Juntar as questões é viver a identidade no limite. Desassossego criativo, pois claro. Convém temperar o descontentamento; às vezes, tão importante como saber onde estamos é saber estar onde estamos. Por tanto hesitar a personagem de Sartre não estava em lugar nenhum. Conforme dizia Geertz, ainda que possamos viver mil vidas acabaremos no final por viver apenas uma. Mas, se de quando em quando temos de pôr questões, que sejam duas de cada vez.



<< Home