Twixters

A revista Time chama-lhes Twixters: os adultos que não conseguem -- ou não querem -- assentar. Ou seja, a malta que insiste em perpetuar as liberdades da juventude. A América conservadora já arranjou maneira de estigmatizar esses adultos pelos "vintes" que fogem das responsabilidades. Curioso, a foto usada para ilustrar o artigo é bem expressiva da pressão social que está presente na invenção do conceito: a pressão para a reprodução de modelos de sucesso individual.

Obviamente sabemos o quanto a celebração da cultura juvenil, historicamente recente, transformou o prestígio de ser "mais velho", a glória do "homem feito", maduro, em favor da cultura do "forever young". Também sabemos o quão convulsas são as relações amorosas contemporâneas, que muito ajudam a fomentar a errância sentimental. Junte-se-lhe a precariedade laboral e começamos a perceber algo das razões para a disseminação dos, assim designados, twixters.

No entanto, também será legítimo forjar outras hipóteses para a "deserção" de americanos jovens. Talvez eles encontrem na sua própria itinerância vivencial uma forma de revolta, mais ou menos silenciosa, contra um sistema reprodutivo - económico, cultural e familiar - que, como o prova o artigo, não deixa de se sentir ameaçado por uma geração que superou sem traumas o complexo de Édipo, versão Cat Stevens.



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