Post it

Tenho alguns papéis colados na parede que está defronte da secretária onde me sento. Percorro-os periodicamente como forma de evocar os recados que um Bruno pretérito me deixou a mim, seu sucesor em corpo. Leio uma frase de Chesterton, uma provocação de Artaud, um versículo da Bíblia, um poema de Baudelaire. Detenho-me num post it com um dizer de Julia Kristeva:
As mulheres não existem
Não podia concordar mais com esta atiçadora, discípula de Lacan. Ao contrário de Kristeva não me interesa de que modo as mulheres são inventadas no seio de uma linguagem patriarcal - falologocêntrica, é o palavrão - que teima em fazer do homem o significante primordial e as mulheres produções secundárias. A crítica de Kristeva é pertinente, bem sei. Mas a razão pela qual aquele papel está aqui à minha frente, na parede do meu quarto, é porque partilho das lições de Bob Marley. Para as nossos ensejos e lágrimas, as muheres não existem. É sempre um singular, woman, que nos mobiliza e assola. A mim e ao Bob. É o singular que nos merece as lágrimas, é o singular que nos enche a alma de futuros. Assim. Sucessiva e alternadamente.



<< Home