Políticas do quarto

Tenho falado pouco de política. Talvez o facto de figurar com independente nas listas do bloco por Coimbra tenha, paradoxalmente, algo a ver com o assunto. Não gosto de falar demasiado de mim enquanto a personagem que às vezes sai do quarto. A escrita deste blog pouco se dobra às horas do dia. Como eu, creio. Mas opinar sem a declaração de uma parcialidade que, neste momento pré-leitoral, se encontra contingentemente cristalizada - e convictamente, há que dizê-lo -, não se faz sem uma transparência eticamente exigível. Daí, talvez, a minha inconsciente inibição. Depois de um post confessional - este - já poderei falar de tudo sem pruridos, pensei. Claro está, não dispensando a pomposa ideia de um "independente de causas" avesso aos "horizontes da trincheira", tendencialmente mais estreitos.

Em todo o caso, escrevo sempre do meu quarto. E aí as prioridades e pontos de vista são sempre refractadaos por um insuportável egocentrismo, aquele mesmmo que as pessoas mal resolvidas abraçam amíude. A antropologia fomenta isso mesmo, a busca de tudo aquilo que perdemos por sermos quem somos. Entre o pessoal e colectivo. Entre a intimidade e a política. Sempre com a suspeita que vivemos na tribo errada.



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