A morte como capital político

Escreve, com oportunidade, o PPM:

"A cabeça de lista do PS por Coimbra, Matilde Sousa Franco, foi prestar homenagem à Irmã Lúcia. Eu acho bem. A sério. Porque não? A senhora é católica praticante, como Paulo Portas. Presumo que tenha o culto de Nossa Senhora de Fátima, como Paulo Portas. Foi certamente convidada pela família da Irmã Lúcia, como Paulo Portas. O que eu não percebo é o motivo porque os comentadores e a SIC, os dois bispos da TSF e a esquerda em geral, não falam de aproveitamente político neste caso. Será porque é candidata pelo PS?"

Acredito que Matilde Sousa Franco foi movida pela sua fé e isso merece-me o maior respeito. A questão que a mim se me coloca é que a haver algum aproveitamento político desta morte, tal não seria um mero um evento circunstancial nesta candidatura é, isso sim, algo de estrutural. Explico.

Depois de já ter tido oportunidade de assistir a um debate em que a manifesta impreparação e incapacidade de de Matilde Sousa Franco a todos deixou confrangidos - razão porque nos restantes debates se apresentou o número 2 da lista -, não consigo deixar de pensar que a sua própria escolha resulta já do aproveitamento político de uma morte. A de António de Sousa Franco. Que me perdoem. Não quero ser demasiado duro, não acho que a identidade de uma pessoa, mulher ou homem, se reduza à sua conjugalidade; mas depois do que vi, é mesmo isso que penso.



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