Debate

Ouço Zeca Afonso no Coliseu. É notável o seu sacrifício naquele que foi um dos últimos concertos que doou, é admirável como ele procura acompanhar a música com a voz que manifestamente lhe falha. É assombroso o momento em que pede ajuda ao público para levar uma canção mais difícil até ao fim. Emocionante a profética música cientemente bradada, silenciosamente chorada "Águas e fontes calai, oh ribeira chorai que eu não volto a cantar". Ali sim, o que faltou em voz sobrou em alma, em generosidade, em fraternidade. E, sobretudo, em capacidade para fazer brilhar a energia de um futuro, de uma esperança. Que não haja confusões no que a romantizações diz respeito. A Jerenónimo de Sousa falhou a voz. Só.




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