Carta aberta aos militantes do PSD

Antes de mais quero dizer que sei aquilo porque estão a passar. Exactamente. Quando Octávio Machado foi contratado pelo Porto, eu lá tentei baixar as defesas críticas, procurei esquecer que o homem tinha apoiado a agressão se Sá Pinto a Artur Jorge, olvidei a sua predilecção por trincos, a paranóia que sempre desvelava nas conferências de imprensa… Tudo isto pus para trás das costas para apoiar a minha equipa, por lealdade, por paixão. Quis ser optimista. Mas depois começou aquele futebol de bola para a bancada, vieram as substituições risíveis, a patente incapacidade de gerir um plantel, o fado para a asneira atrás de asneira. Mas o que me doeu mais foi quando Octávio Machado começou a brincar com os símbolos históricos do Clube, obrigando a que Jorge Costa fosse emprestado para o Charlton, para assim se tornar o primeiro exilado da democracia portuguesa. Como imaginam eu fui acometido por um dilema terrível, por um lado, mais que tudo, desejava ver aquele homem dali para fora, por outro, alimentava esse a-histórico ensejo se ver o porto ganhar cada jogo. E assim padeci, em dúvida. Andei a aspirinas. Até que tomei uma decisão dolorosa. Comecei a torcer pelo adversário. No café as pessoas chegaram a ficar preocupadas com o meu registo esquizo. Alguns amigos próximos chegaram a chamar-me de mau portista. Já os perdoei. No fundo eu optei por ser táctico, um passional com sentido de futuro: sabia que nada de bom podia vir de Octávio Machado e que o melhor seria que fosse tudo muito mau para se acabar com aquela história agonizante. Algum tempo depois Octávio Machado foi despedido. Não muitos dias passaram até que, na meta dos leitões, Pinto da Costa assinasse contrato com um novo treinador. Chamava-se José Mourinho.



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