Persona


Às vezes as pessoas - óbvias personagens sociais - desistem do seu papel. Mas quase sempre assumem outro - normalmente por um dos itinerários de subversão com escola. Quando tal não acontece a psiquiatria está vigilante. Entre a representação e o eu não há abismo possível. Criam-se juntos. A máscara e o rosto, na óptica social, não se separam sem ferida. Mrs Vogler (Liv Ullmann) é a mulher aparentememte ferida, posta sob os cuidados da medicina. O marido surge pela voz da enfermeira. Evoco uma interessantíssima passagem da carta do homem, desesperado. Ele busca algum sentido para o desaparecimento da personagem-mulher que um dia conheceu. A mesma personagem-mulher cujo papel "exigiu" um filho, um rebento que, desgraçadamente, desde cedo foi mal amado. Reparem como é comovente esta auto-culpabilização do homem atrás do que correu mal, quando, no fundo, a resposta tantas vezes jaz no pedaço que em baixo destaco a negrito:
Have l harmed you in some way? Have l hurt you without knowing? Has some terrible misunderstanding arisen between us? (...)You've taught me that we must see each other as two anxious children filled with good will and the best intentions. But governed by forces we only partially control.



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