A Corte

Para ver como havia do arrumar as almofadas na cama recorri ao mais parecido que eu tenho a um livro de etiqueta: The Court Society do Norbert Elias. Está um pouco desactualizado, é certo, algumas das práticas da corte francesa parecem fazer pouco sentido na calmaria do meu quarto, verdade, nem estou muito interessado em ter alguém a dormir aos pés da cama, óbvio, mas sempre se aprende uma dica ou outra. Pouco encontrei sobre almofadas, confesso, mas lá vi um sublinhado meu que agora ganha novos matizes. Numa oportuna passagem Elias evoca Weber para afirmar: "A liderança carismática nasce da crise. Não tem permanência a menos que a crise, a guerra, e a desordem se tornem normais numa sociedade." Básico. Bem sei. Mas este revival muito me faz pensar na recente designação da Time: Bush como homem do ano. Talvez devesse haver uma adenda para as chefias que criam as possibilidades de partida para se afirmarem como lideranças carismáticas por muitos e bons anos, armando eles mesmos a puta da confusão, por muitos e bom anos. Não admira que o outro, o príncipe herdeiro, como dizia o VPV, não quisesse eleições antecipadas, nisto das lideranças que se querem afirmar: worse is better.



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