Os lugares de Deus ou os deuses do lugar

"No seu lugar, menina, eu ia para o sul, onde dizem que Deus é melhor."
Marguerite Duras, O Vice-Consul.
Ganges, o rio sagrado

P.s. Por bondadeza, alguém me diz onde é que arranjo o DVD de India Song ?

Constação do Dia

A Blogosfera está mais gay.
(Só discriminação e a homofobia que a suporta é que têm a perder)

Genocídio?

Leio no Público: Vaticano acusa indústria farmacêutica de praticar genocídio em África, por se recusar a baixar o preço dos medicamentos contra a sida.. A denúncia é mais que pertinente, mas eu fico tão confuso... Não é o vaticano que condena o uso do preservativo? E isso é o quê? genocídio?

Segundo alguns autores a acepção mais estrita de genocídio, tentativa de exterminar completamente um gupo étnico/raça - diferente de expulsão territorial que terá mais a ver com limpeza étnica, conceito autorado por Mary Douglas - só terá ocorrido três vezes no século XX.
A tentativa de extermínio dos arménios pelos turcos em 1915.
No holocausto nazi perpretado contra judeus e ciganos.
No massacre dos Tutsis pelos Hutus.


Espaço do leitor Vasco Pulido Valente

Leio no Babugem (excelente espaço de crítica musical e cinematográfica) um excerto de uma entrevista a Vasco Pulido Valente:
"As pessoas que escrevem nos blogues, como muitas das que escrevem nos jornais, como as que falam na televisão, dão aquilo que elas julgam que serão opiniões. Políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada, que não conhece os assuntos, e podiam dizer aquilo, ou o contrário, que era igual ao litro. (...) "
Um dia estava a ler um livro de citações e li uma do Chuchill que dizia que as citações são boas para os ignorantes. Quero imitar a atitude do editor do livro que corajosamente incluiu a citação. À propos vide O Citador, para mim, um blogue de referência. Com isto tudo ficamos a saber que o VPV lê Blogues.

Inspirada por Onã a Deusa do Blogue (ali habitam criativos híbridos imagéticos) abençoa-me com simpáticas palavras.

Lost in (the) Translation

Lost in Translation. Ainda não vi porque em Coimbra há 5 salas de cinema que juntas nunca passam mais de três filmes diferentes. Siga.
Apetece perguntar se a escolha do título era já um prenúncio de que ele iria ser grosseiramente traduzido para Português. O Amor é um lugar estranho?!! Apesar de as poder subscrever, Interessam-me pouco as experiências sentimentais do tradutor para o caso...

Apetecia-me vociferar mas acalmo-me. Lembro-me de duas coisas. Primeiro, isto de fazer oposição é fácil, qual seria a alternativa a propor à tradução? Segundo, e mais importante, lembro que "The Godfather" (O padrinho) foi traduzido para brasileiro como "O poderoso Chefão". E esse precedente, como calculam, acalma em muito a minha indignação.

Vejo intrigado muitos que por aí usam a morte de um homem na sua sôfrega necessidade para ter razão, ainda o rapaz não tinha caído já estavam no debate político, na reflexão sobre a cobertura mediática, esgrimindo o lugar do futebol nas nossa sociedade... Ou então esse puro cinismo de quem paira sobre as convulsões do povo. Às vezes canso-me de tanta gente iluminda cheia de certezas sobre tudo. Excelente, o editorial do Público (Não, não é o José Manuel Fernandes).

Irónicas profecias (de Borges a Maradona)

Jorges Luís Borges; como alguém dizia o melhor é começar pelas obras completas. O seu génio literário é demasiado arrebatador para que eu me dê ao trabalho de lembrar as suas visões políticas. No entanto, embora contrariado, abro uma excepção neste blogue para lembrar as proféticas palavras inscritas no Livro da Areia , em 1972:
"A Rússia vai apoderando-se do planeta; a América, atada pela superstição da democracia, não se resolve a ser um império".

Ai Borges... mal sabias tu que seria a "superstição da democracia" a justificar o império. São estas as recurvas sentenças do destino, desgraçadamente.

(Coisa estranha. Já com Maradona... Não sei porque raio, as minhas adorações argentinas nunca me conseguem desiludir o suficiente)

As palavras falham-nos sempre perante a enormidade de um assombro. Teimosos, ainda que em silêncio, insistimos na busca de um sentido. Queiramos ou não, há eventos e imagens investidas de um poder nos destabiliza intimamente. Momentos há em que desistimos do sentido das coisas; aprendi com grandes mulheres e grandes homens que há momentos em que o único sentido possível é resistir. Sinceramente, não estou para as costumeiras análises dos que procuram sempre uma frincha para poder enunciar a contra-corrente iluminada sobre a vida social. Sei que há mortes silenciosas, sei da segurança nos estádios, sei do euro 2004, mas por favor, poupem-me por ora, não consigo esse distanciamento. Desde há umas horas atenho-me a uma imagem televisiva que me ocupa o pensar, atenho-me às palavras sábias e despretensiosas: A queda súbita de um atleta de alta competição, inanimado, em campo, depois de um sorriso, faz lembrar, brutalmente, a precariedade da vida.

Mikky

Adeus Miklos Féher. 1979-2004.

Entre freiras

Há coisas destas. Hoje estive a falar de globalização a 100 freiras. Quem me convidou sugeriu-me um desafio que me fez hesitar, não dei corda aos preconceitos e avancei curioso. Isto de freiras depende muito das congregações. Há-as como as Carmelitas, onde está a irmã Lúcia, a vidente de Fátima, que nem sequer pôde falar ao telefone com a mãe na hora da sua morte, e há-as a milhas do imaginário que nos ficou da Religiosa de Diderot.

Aquela congregação para onde falei parece ser muito aberta, aliás, como o faria supor o evento que organizaram a fim de poderem ouvir outras perspectivas menos religiosamente depuradas. Na qualidade de leigo, ciente de uma a figura pouco "domesticada", entregue um público com uma média de 60 anos, confesso que estava um pouco temeroso, ainda mais porque a apresentação nunca se distanciou de questões eminentemente políticas e das perplexidades que marcam a construção deste mundo. Havia ainda o pormenor de eu falar ao domingo de manhã, a hora da semana em que habitualmente um padre assume a palavra. O acolhimento foi surpreendente, algumas mais estudiosas logo começaram a falar do seu fascínio pela Antropologia, pela Antropologia filosófica.

Encontrei algumas das irmãs no autocarro de volta e estivemos em amena cavaqueira a dissecar a minha apresentação e a falar das vidas delas em lares, hospitais e colégios por todo o país, das suas terras de origem e percursos de vida, das poucas noviças que agora aparecem, dos seus projectos de trabalho em comunidade, etc. Depois de um magote de irmãs me despedir amavelmente na estação fiquei-me a pensar como as vidas vistas por dentro fazem sempre mais sentido, um sentido que de algum modo se esgota nas lógicas institucionais e no julgamento que delas possamos fazer.

Experiências

Fui convidado para fazer uma apresentação num colóquio que promete ser uma das experiências mais estranhas/insólitas da minha existência. Já vos digo que tem a ver com o público. Tento despir-me de preconceitos e avanço com profunda curiosidade antropológica. Logo vos conto.

Ordálias

Hoje, uma daquelas raras pessoas a quem sem hesitação reputo de anjo (to say the least) expõe-se a uma ordália simbólica, o juramento de Hipócrates. Parabéns doce Jamira.

Hoje à noite eu vou escrever um post... (act.)

Anabela Mota Ribeiro, a nova apresentadora do magazine 2, tornou-se o novo enigma blogosférico. A questão é se este blogue é mesmo dela.

João Pedro Henriques escreveu uma carta aberta a pedir um esclarecimento. Soubémos que Carlos Vaz Marques ouviu um declaração às 9:00h da manhã na Antena 2 em que a apresentadora se demarca do Blogue que traz o seu nome. Entretanto, a blogosfera já tem Pedro Mexia no departamento de livros do Magazine com o fim de apurar toda a verdade. Deixo aqui uma entrevista da donzela que canta, dança e lê livros para que possamos avaliar a existência de traços comuns com o tal Blogue. O que me dói é que toda a gente começou a falar mal do blogue e agora mesmo que fosse dela ela não o diria. Pode ser que um dia ela nos surpreenda e diga: "Eu hoje à noite vou escrever um post". Anabela se porventura vieste aqui ter pelo technorati fica a saber que eu gostei do blogue (Humm...) Tanta ciumeira...

P.s.I Tudo aponta para que o blogue seja mesmo uma tentativa de difamação. Se pensarmos bem o próprio título não é inocente: "Possibilidade de-o Sentir"... Pois.
P.s.II Este evento mostra que a única maneira de um cidadão se pôr a salvo deste tipo de argúcias é criando um blogue que seja assinado com o seu próprio nome. Doravante a feitura de um blogue pessoal pode tornar-se numa forma de defesa do bom nome. Ironias... E eu preocupado com efeitos deletérios do avatares sobre a minha já frágil "reputação"... (o que quer que isso seja...)

Cepticismo

Quando disse que "os mais cépticos tinham razão", aludindo a Francisco José Viegas, por ele há muito ter adivinhado que haveria Queima das Fitas, não estava a enfatizar por demais as suas expectativas negativas. Estava, isso sim, a pôr a tónica no desejo (que partilhamos, creio) de que o contrário tivesse acontecido num sinal de maturidade e corência da luta académica. Na verdade, o resultado final era o mais que esperado. Mas, caro Francisco, perceba que o cepticismo fará sentido enquanto houver para medida almas (porventura ingenuamente) esperançadas noutros aportes. A dura verdade, à qual não me sonego, é que neste Portugal para esperar o pior basta ser realista e ouvir as notícias. Aí concorcordo consigo, por estes dias o cepticismo pode muito pouco.

Onananismo: algumas reflexões II

Respigo as interessantes deixas suscitadas pelas reflexões em torno do onanismo. Na caixa de comentários o José pergunta porque terá ficado Onã ligado à masturbação (via "onanismo") se, na verdade, o relato bíblico fala de coito interrompido. Esta é facto uma boa questão para exegetas e semiólogos (cf. Génesis 38).
Mas é curioso, existe uma expressão próxima para caricaturar a acividade sexual masculina em determinadas lógicas patriarcais, no seio das quais a subjectivdade erótica feminina tendia a ser negligenciada. Dizia-se " o homem masturba-se na mulher".

Vide ainda os posts do Melhor Anjo e do Miniscente. O miniscente, o romancista Luís Carmelo (designação que também é uma referência ao último post), falando da ficcionalidade onanista , coloca uma questão muito bem achada. Pergunta ele em que medida diferirão as produções fictícias com fins masturbatórios das mulheres e dos homens. (questão que obviamente não se fecha no imaginário hetero). Por exemplo, qual será a prevalência de referências próximas a serem usadas como "rastilhos" da imaginação nessas ficções (amig@s vizinh@s, exs)?

O Sociólogo Anthony Giddens tem uma frase lapidar: "Imagination is not unbounded". A ficionalidade onanista poderá ser um desafiante estudo de caso desta tese.


Lampejos

Ontem, com um frio de enregelar passei passei pela zona da baixa. Vi com horror, junto à estação nova, uma prostituta que vestia o mínimo que o frio permitia. Na viagem de volta, cerca de uma hora depois, vi-a no mesmo sítio. Foram dois fragmentos do real absolutamente destabilizadores. Habituamo-nos a banalizar o que há de horrível na sua profissão (alguns ainda dizem com cinismo que elas até devem gostar), e foi preciso ver uma senhora uma hora exposta a um frio insuportável para que eu me pusesse a pensar como tudo aquilo deve ser insuportável.

Um convite para "a cidade do farol"

Mas, para mim, a única coisa faz sentido contrapor à cidade é o meu quarto.

O Farol das artes é um daqueles blogues que leio sempre com algum desconforto porque sempre que lá passo fico com aquela sensação "eu devia ler mais livros, devia ver mais filmes"... Os faroleiros, desde há um tempo, têm vindo a empreender semanas temáticas (gostei particularmente dos posts sobre o cíume). Recentemente decidiram convidar um blogue para participar com um texto para abrir cada tema. E, vejam lá, lograram inaugurar a ideia endereçando-me um amável convite. Fiquei, claro, profundamente lisonjeado e logo tratei de prometer o meu contributo. Por isso, a partir de hoje lá está um pequeno texto que escrevi sobre "a cidade", tema que por uns dias merecerá a escrita dos faroleiros e das suas visitas.
A experiência ajudou-em a perceber que as minhas leituras sobre a cidade são gravemente umbiguistas. Dizem que passa...

Onanismo: algumas reflexões

Durante a adolescência lembro de um amigo me contar que criava sempre elaboradas histórias quando se masturbava. Essa insuspeita fonte para a construção de narrativas é bem interessante. Será que todos os romancistas começaram assim a construir enredos?

Quando a questão surge à volta de uma mesa, a percentagem da prática regular da masturbação feminina é sempre muito inferior à masculina. Mais gritante: há várias mulheres que afirmam nunca se terem masturbado, o que nunca é enunciado pelos sujeitos homens. Algumas/alguns defendem que a questão tem a ver com as diferenças biológicas entre os sexos. Outr@s apontam que a interiorização da censura que se abaterá com maior acuidade sobre o auto-erotismo das mulheres, levando com maior frequência a comportamentos de "abstinência". Outr@s ainda defendem que o peso da repressão e da censura não tem tanto a ver com o que se faz mas com o que se diz, ou seja, haveria entre as mulheres um maior pejo para falar abertamente da sua sexualidade.

Génesis 38 fala-nos de Onã, o nome que estaria na base do onanismo

Opções de vida

«O banho de imersão, pelo gasto de água implicado, é pouco ecológico». Alguém me alertava por causa de um post ido. Que perseguição... Já não bastava a pedagogia dos urologistas?, o banho de imersão tem sido atacado por todas as frentes. Eu acredito que o mais próximo que a civilização ocidental tem da meditação budista são os banhos de imersão (experimentem apagar a luz). Acredito nas capacidades terapêuticas dos sabontes líquidos. Aroma-terapia, pois. Há que fazer opções, portanto, se virem o meu carro sujo é porque eu estou a ajustar as minhas contas com mãe natureza.

Não gosto de me deitar muito tarde porque há duas três frinchas da persiana que deixam entrar a luz do sol. As persianas estragadas são um forma de nos vincular ao ritmo circadiano do nosso corpo.

Magia em forma de ressaca

Estávamos por alturas da queima. Com alguma ressaca, acordei por alma de uma sirene desconhecida que ressoava pelo quarto. Desperto sempre com enigmas, mas dispensava a ruidosa urgência daquele. Até que lá percebi, tinha um telemóvel a mais na pochette de onde chamava, insistente, um tal de Anónimo. Não atendi, não conheço ninguém chamado Anónimo, e, mais importante, o telemóvel não era meu. Levantei-me vagaroso e após ter bebido uns quantos litros de água fiquei-me contemplativo a hidratar memórias.

Veio a tardinha, havia um jantar a que eu devia comparecer. Fui mais cedo para ir buscar o Tozé a casa, queria aproveitar para lhe devolver o despertador com alguns impropérios amistosos. Estacionei. Já caminhava tranquilo quando três crianças me pediram que deslocasse o carro, estava a perturbar logística de uma brincadeira. Consenti a gosto. Após a solícita manobra lembrei-me de lhes atirar com uma bola de futebol que trago sempre no banco de trás. Quando já íamos a abalar veio um deles a correr. Pesaroso, devolveu-me a pelota com toque artístico. Intentei uma habilidade; tocado pela sua gratidão, e sem que nenhum génio me sobreviesse, fiz-lhe um passe sugerindo que continuassem a jogar. Ele propôs mais, perguntou se podiam ir para um campo que ficava a uns quantos quarteirões dali. Não vacilei, disse que fossem e apontei para a janela do quarto do Tozé, podiam deixar ali a bola quando acabassem. Assim que entrámos no carro, fui posto perante um mais que provável adeus à redondinha. Respondi que não era importante.

No dia seguinte telefonou o Tozé a contar-me as incidências de mais uma noite atribulada. As histórias insólitas sucediam-se, por fim lá se despediu. Eu também não perguntei. Encontrei-o uma semana depois, lembrou-me que fosse buscar a bola que, pelos vistos, havia anoitecido no quarto dele. Não disfarcei o deslumbre pela nova.
A bola que tenho hoje no banco de trás da 4L é, para mim, uma bela expressão da inabalável fé no trânsito perpétuo de dádivas inesperadas. A desconfiança e o cepticismo antropológico podem ser uma forma de prudência na vida social. Somos enculturados nessa lei de sobrevivência, será um dia triste quando acreditarmos nela tão completamente.

Aborto e jogatana política

Atónito, leio no Público: "O primeiro-ministro, Durão Barroso, apoia a descriminalização do aborto, defendendo, assim, os argumentos apresentados pela JSD. Porém, o chefe de Governo não pretende assumir esta posição durante a actual legislatura, justificando a opção com os compromissos eleitorais que assumiu de não efectuar qualquer alteração à lei ou um referendo sobre a matéria." Independentemente do tema em causa isto seria sempre uma expressão bizarra do ponto a que chegou a nossa política.
Quando me perguntam a minha posição em relação ao aborto começo sempre por dizer que sou contra. Só então acrescento que sou favorável à descriminalização. Por isso assinei a petição para um referendo: "Concorda que deixe de constituir crime o aborto realizado nas primeiras dez
semanas de gravidez, com o consentimento da mulher, em estabelecimento legal
de saúde?" Mas não julguem que vou à bola com os argumentos de que "a barriga é minha", nem com as enfermeiras feitas mátires.

Index

Muito se discute se os meios de comunicação a e b são de direita ou se são de esquerda. A cobertura que o fórum social mundial (não) tem tido apenas vem demonstar que em determinadas matérias existe um bloco central que governa a nossa informação. Por bandas lusas podem acompanhar o evento na página da attac e no blogo social português. Acho que é tudo.

Eunuco Funcional

Quero dar as boas vindas à malta amiga do Queer Mondego. Entre laivos mais intimistas, é de esperar dest@s companheir@s uma escrita atenta às questões da sexualidade e dos direitos sexuais. Simpátic@s contaram-me na lista dos companheir@s. Apelando à minha labutada reputação de eunuco funcional (expressão tão deliciosa quanto ambiciosa), lembraria apenas aos leitores que a secção "straight" ali constante é elaborada por omissão.

Já que não há revolução dê-me mais um fino

O referendo sobre a Queima das fitas de Coimbra resultou na vitória do sim com cerca de 77% dos votos. Os mais cépticos viram concretizar-se o cenário esperado: vai haver queima. O mercado acordou em alta com a subida das cervejeiras na bolsa de valores (sei lá eu). Bem vistas as coisas, na luta contra as propinas, os estudantes optaram por uma perspectiva que alguns poderão apelidar de realista: beber para esquecer. Mas, o que me precupava mesmo era a possibilidade de a primavera coimbrã ficar sem esse magno ritual de acasalamento. Para onde iria tanta energia? Desconfio que era desta que se fazia a revolução. Desgraça.

Creiam, neste caso a euforia da celebração da sociedade vai ser muito mais a celebração daquilo que a sociedade é do que a representação simbólica do que ela poderia ser. Há carnavais assim.


Algumas escolas de pensamento defendem que nestes tempos a mais importante porta de entrada no querer de alguém é a caixa de mensagens do seu telemóvel. Não tenhamos dúvidas, os amores vivem um período de revivalismo literário. Libertar espaço para a entrada de novas mensagens não é apenas uma procedimento logístico, é a marca primeira de um desassossego.

Será que chega cá?

O IV Fórum Social Mundial começa hoje em Mumbai na Índia.Temo estar a dar a notícia em primeira mão a alguns. É que embora cada vez mais depositem a sua reserva de esperança neste importante evento, ele tende a ser sistematicamente silenciado pelos meios de comunicação. Amanhã veremos. Entretanto fica aqui o link para Índia. Porventura o link para um outro Mundo na forja.

O Grande Paradoxo

Coisas que pensamos quando lemos blogues:
Eu devia ler mais livros
Eu devia ler mais jornais
Eu devia ver mais filmes
Eu devia conhecer mais pessoas
Eu devia visitar mais sítios

Quem anda metido nisto dos blogues arrisca-se a ouvir coisas como: "arranja uma vida!"
Eu acho que a grande paradoxo da blogosfera é que ela nos prende no mesmo movimento que nos envia para fora dela.

Blog Awards

Num post em que faz a arquelogia de alguns escritos já antigos, o Cafageste atribui-me o 5º lugar no seu ranking de Blogs. Curiosamente o cafageste tem um outro ranking paralelo: as musas da sua eleição. Estranho o 6º lugar da Laetitia Casta e sei que muit@s portugues@s se revoltarão com a ausência da Serenela Andrade. Quanto ao lugar concedido ao Avatares de um desejo, é bem lisonjeiro. Grato, remato com duas palavras que poucas vezes estiveram juntas: Obrigado Cafageste.

Alerta

Tenho as maiores reservas em relação ao relançamento do programa espacial americano anunciado por Bush. Parece-me um sinal de franca abertura não se ter usado como pretexto a necessidade de implantar a democracia em Marte. Não obstante, nada nos garante que eles não levam uns bicharocos mutantes nas sondas para depois alegarem que encontraram formas marcianas de vida, justificando assim o sucesso da missão. Afinal, porque é que agora haviam de dizer a verdade?

Diálogos (act.)

1- O JCD do jaquinzinhos oferece-me trabalho! Depois de eu o ter chamado liberal radical por ele defender que as condições laborais deviam ser o resultado de uma contratualização livre entre trabalhador e empregador; simpático, propõe-me as funções de jardineiro: uns cobres acima do salário mínimo para acertarmos depois, se eu achar bem. Só que ao fazer referência ao salário mínimo o JCD já está a contradizer a sua versão radical da contratualização livre, é que eu tinha percebido que as conquistas proletárias não eram para aqui chamadas. OK, radical ma non troppo! Já João Miranda do Liberdade de expressão mostra ser um liberal radical puro.

2- O Lutz do Quase em Português propõe uma interessante leitura da passagem que faço da frase "a minha vida dava um livro/filme" para "a minha vida dava um post". Diz ele que quem clama por um filme ou um livro pede também uma narrativa capaz de conferir algum sentido/coerência à história pessoal. Bem visto. Por outro lado, uma vida escrita não num mas em muitos posts, torna-se a óbvia constatação da fragmentação do nosso EU, da falta de unidade/continuidade na nossa história, e do artifício que sempre é a escrita de uma narrativa coerente, capaz de criar um sujeito definido e definitivo.

Isto acontece porque os posts são exímios registos avulsos de vivências soltas, mas também porque há quem escreva inventando/libertando um outro eu. (Acontece com todos, para mim como para outr@s não é tão claro uma vez que dou o meu nome e tento sempre jogar com uma espécie de honestidade tensa)

Como muita literatura instigante tem defendido a unidade do self é uma laboriosa construção, uma busca de segurança ontológica que se torna necessária no nosso quadro de valores. A suspeita que noutros contextos culturais ganha corpo é que cada um de nós é uma entidade multipla (ou multi-instanciada), e que vive sempre várias vidas no espaço de uma vida.
Terminando Lutz brinda-me com um mui lisonjero post scriptum. Não sei se o mereço, babado, agradeço-lhe em meu nome.

Retratos escritos


Memoirs of the Blind: The Self-Portrait and Other Ruins de Jacques Derrida.(Mémoires d'aveugle no original)
O autor pega nuns quantos quadros do Louvre e, ganho o pretexto, disserta sobre a cegueira, a pintura, a representação, a bíblia, as ruínas, os tirésias entre nós... Uma leitura sem compromissos temáticos. Ah! é um livro bem bonito.

Um post inevitável

(Lá vou eu perder leitor@s...)
Rejubilo. José Mourinho foi eleito o melhor treinador da Europa. Sempre admirei o estilo e o registo discursivo do homem; alguns escritos deste blog servem de prova. Numa provocação disse uma vez a alguém que a seguir a Álvaro Cunhal a vida pública portuguesa ainda não tinha conhecido ninguém com o carisma de Mourinho. É obviamente uma ideia excessiva, mas o carisma também é excessivo em relação ao discurso, não cabe lá. Segundo determinadas perspectivas, ao discutir o carisma de certas pessoas entramos no domínio do mágico. Disso eu não tenho dúvidas.

Lugares de Hospedagem

Coração peregrino. A designação foi-me imputada no breve desvio de uma conversa. Eu, um coração peregrino?! Fiquei a pensar no assunto. Não alcancei paz senão horas depois. O que faz um peregrino na leitura tradicional é a perseverança, um sentido de fim, a busca de um lugar sacro no horizonte, uma meta a ser alcançada ainda que contra a dor. Mas essa leitura, creio, não dá conta da angústia matricial que acompanha uma tal viagem. Tento então outra leitura, uma onde a singularidade do peregrino está na sua relação para com o conforto dos lugares de hospedagem. Sabemo-lo. A condição de viajante suscita acolhimento, desperta o fascínio da itinerância, supõe esse desterrado em busca de abraços. Mas, viver esse acolhimento, pulsar esse fascínio, é, para o peregrino, a tentação de ser outra coisa, é o irresistível desejo de ficar. Acredito que a condição peregrina tem muito menos a ver com a certeza de um propósito do que com a insolúvel premência dos lugares que se deixam para trás. Aí, meu delator, talvez tivesses razão. Talvez sejamos muitos.

A obsessão do beijo

A obsessão dele eram os primeiros beijos. Mas não pensem que era um dissoluto beijador de bocas várias. É que para um beijo ganhar o simbolismo de primeiro temos que beijar uma mesma pessoa em muitos actos. Aliás, há quem o faça a vida toda apenas para reforçar a primordialidade de um beijo ancestral. Em última instância a magia do primeiro beijo tem pouco a ver com o primeiro beijo.

Estúpidos códigos: crime organizado

O tema da paz na estrada começa a alojar-se na sociedade portuguesa. Eu que conduzo pouco e que não passo os limites de velocidade - também como uma prudência em relação à mecânica da 4L-, lá vou vendo muita estupidez sobre rodas. Mas há um comportamento na estrada que sempre me intrigou, uma espécie de crime organizado na via pública. É quando vamos na estrada e alguém faz sinais de luzes a avisar que passou por uma brigada de trânsito. Gestos fraternos de solidariedade? O tanas! Esta prática representa bem o quanto a irresponsabilidade está disseminada entre nós, para mim não é mais que um proteccionismo cúmplice com perigo. Quando alguém simpaticamente me dá as luzes de aviso eu respondo baixinho com um possível insulto. Já sei, sou um ingrato.

A minha vida dava um post

A quem vive eventos, desventuras e ironias ditas inenarráveis, não é raro ouvir a expressão: "a minha vida dava um filme" ou "a minha vida dava um livro". Já a ouvi estas frases várias vezes, trazem sempre um pathos, a sombra de uma tragédia. Mas estes ditos enunciam algo mais, enunciam a singularidade do sujeito, adivinha-se ali o desejado prestígio, o anseio pessoal de ser tema de uma trama. Há portanto aquele sentido mais clássico do trágico, a honra de ser desgraçado; a narrativa trágica que não atingia a um qualquer, mas apenas àqueles cuja vida interessava aos deuses. Os escritores, argumentistas e realizadores são as divindades para quem pensa que a sua vida dava um filme/livro. Por outro lado, quando a humildade e o sentido de humor chegarem do alto alguém dirá em tom trágico-cómico: A minha vida dava um post.

Como poderia ter dito alguém que muito estimo por vezes há que estetizar o patético da existência.

O admirável mundo de um liberal radical

Leio no Jaquinzinhos acerca do aumento do salário mínimo:
Na Comunicação Social: O salário mínimo aumentou 30 cêntimos por dia.
Visão alternativa: O salário mínimo aumentou 2,5%.
Visão liberal: Os salários são acordados entre empregador e empregado.

O JCD deve ser o último dos liberais, já tenho debatido com muitas visões ditas liberais que defendem a flexibilização do mercado de trabalho como forma de agilizar a concorrência, mas a proposta dele é de longe a mais arrojada.
Ao pé do JCD o Bagão Félix é um perigoso sindicalista. Não perceber que o trabalho é um contrato de tipo especial, que parte de uma assimetria entre o empregador - que detém os meios de produção - e o trabalhador... Não perceber que o direito de trabalho cumpre a função de mitigar essa assimetria estrutural ... Não perceber que a inexistência de contratos daria lugar a relações de exploração e situações de profunda precariedade no assalariado (veja-se a situação de tantos imigrantes ilegais)... Não perceber que o direito de trabalho é um elemento que estrutura a possibilidade de um bem-estar social mais alargado... Deus nos salve do teu liberalismo.

P.S. Excelentes. Os Posts de Francisco José Viegas sobre imigração e racismo. Eventos sobre a matéria vão aparecendo no blogue do SOS racismo.

O Ultimato da Lasanha

Nelson, por favor desculpa! Desculpa! Afinal hoje não vou poder jantar contigo, sabes, é que…
─ Não quero saber! Já estou farto disto! Tão farto… É assim, se hoje não vieres, escusas de voltar a aparecer, escusas de telefonar, se hoje não vieres… está tudo terminado. Percebeste!?
Antes que Sara experimentasse uma palavra o telemóvel desligou-se solene. O orgulho calou-os. Passaram dois anos. Nunca mais se falaram. Nelson ficou sem saber as razões que enviaram a lasanha fria para o lixo. Que caralho de situação a terá arredado daquela mesa? (pergunta o narrador, que devo ser eu). “Tinha de ser!” Repete. Não se arrependerá do ultimato. Mas ainda sofre com o imperativo. “Tinha de ser!”
Naquela noite Sara não jantou. Com a televisão ligada ficou-se soturna a olhar para o tecto como quem vê impotente um naufrágio da costa. Submergindo também. Sem sequer vociferar um desespero. O porquê também lhe escapa, Sara ensaia-o há dois anos. Sem sucesso aparente.
Talvez adivinhasse que era Lasanha… É a dúvida que a tortura.

Permitam

Não prentendo investir-me de paladino de uma suposta ética bloguista ou algo que o valha, prezo demasiado a liberdade para isso. Paulo Gorjão do bloguítica oferece uma óptima súmula e interessantes opiniões acerca do debate político, é um dos meus pontos de passagem. Ultimamente alguns conteúdos ficam reservados para uma newsletter a ser enviada por mail aos subscritores. Não a subscreverei por uma questão de princípio e porque não é prático para a gestão do meu tempo dividir-me entre blogues e a consulta do mail. O princípio prevalece. Espero que isto seja apenas uma opção individual e não um prenúncio do fechamento de conteúdos que aí vem. Continuarei a passar por lá ignorando o incómodo dos sub-textos. Fica aqui a minha opção individual de perseguir o que aqui me trouxe.

Viragem à Esquerda?

Via BLogue de Esquerda chamo a vossa a atenção para a chegada de um blog que certamente militará contra predação neoliberal. É Blog de ATTAC, uma importante organização internacional que luta por uma outra globalização, por um outro mundo. Chama-se Grão de Areia, pelo que já conheço da trama passa ali muita informação importante que os media nos sonegam.

Acerca do caminho que o nosso mundo toma muitas vezes recordo uma frase lapidar de uma amiga minha brasileira quando se condoía da vileza das gentes: "Pô, Não era para ser assim!"
De acordo com o JMF não compro visões dicotómicas e simplistas da realidade, mas, politicamente falando, para quem a viu, torna-se claro que a Blogosfera já fez a sua viragem à esquerda. Dúvidas?

O Corpo não é um texto

Numa conversa imaginária Merleau Monty diria a Michel Foucault que o corpo é mais que um texto. Mas ele sabia-o... Disse-o num escrito perdido, O corpo é "o modo de ser da vida, aquilo mesmo que faz com que a vida não exista sem me prescrever as suas formas". São várias as formas por que a vida se realiza:


Laetitia. Todos temos um lado menos conhecido.

Gestos e os seus cativos

Tudo começou com um Antologia organizada por Vasco Graça Moura oferecida no Natal. 366 poemas de amor. Laura lia um poema no metro e lembrou-se do Avatares, disse-mo num mail. Só a imagem já me comove. No Metro, numa das representeções excelentes do mais puro quotidiano, clama-se pela contaminação da poesia, evoca-se um insuspeito. Tudo isto, imagino, entrecortado por uma voz a anunciar a paragem do Saldanha ou a mudança para a linha verde. Tudo isto pensou Laura nos subterrâneos da cidade. Ah... e o poema?, delicioso..., Manuel António Pina, os gestos encantatórios:

"Café do Molhe

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor;
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo."


6 meses

No passado dia 22 de Dezembro este Blog fez seis meses. Esqueci-me de assinalar a data. Mas em face dos aniversários importantes que eu já deixei passar, creio que essa omissão não será demasiado grave. Sou um tipo dedicado, devoto se necessário, apenas um pouco distraído.

Alberta Marques Fernandes?

Cerca de 10 anos e 20 quilos depois, Alberta Marques Fernandes volta a ser a figura de abertura de uma Televisão, depois da SIC desta vez foi A Dois. Não gostei. Acho estranho que uma televisão cultive tão pouco a "cultura da casa", entendo que deveria ter sido premiada uma personagem mítica da estação. Será o estigma do funcionário público? A Alberta Marques Fernandes está na RTP há dois dias, há lá pessoas de enorme prestígio, como o Carlos Fino, que estão lá há décadas. Imagino como se sentirão ao serem trocados por uma novata neste momento de tão grande simbolismo. O Futebol ensina-nos muito pouco, mas modo como certos clubes de futebol misturam inovação com mística pode e deve ser uma lição.

"Laetitia Casta e os anti-corpos

Recebi este reparo: "Bruno, é estranho, já tens um blog total [Links, fotos, comentários] e ainda não puseste nenhuma foto daquela... a Laetitia!"
Assenti: "Estou a dar um tempo para não criar anti-corpos "

Um laivo totalitário

Quando certos blogs que estimo têm paragens demasiado prolongadas começo a questionar se se deveria aplicar a figura legal da requisição civil para a blogosfera. Para verem como pode fazer sentido deixo-vos um excerto do diploma que a regula:
Considerando a necessidade de assegurar o regular funcionamento de certas actividades fundamentais, cuja paralisação momentânea ou contínua acarretaria perturbações graves da vida social, económica e até política em parte do território num sector da vida nacional ou numa fracção da população; (....)

1X2

Engraçado. Hoje em dia quando vejo um Benfica-Sporting torço por quem ataca. Longe vão os tempos em que esmiuçava o calendário e a tabela classificativa para aquilatar das possíveis consequências para o Porto. Temo que para mim o Benfica e o Sporting se tenham transformado em equipas simpáticas, aquelas cujos golos festejamos sem hipocrisias ou agendas secretas.
P.S. Van Derlei volta!

O Cabeleireiro de Lara


Todos os que lhe tocaram a alma deixaram uma opinião acerca do corte de cabelo que melhor lhe fica, a cor que lhe chama os fundos olhos, o descair que lhe enobrece a face, a trança que a enlinda... Hoje, para ela, ir ao cabeleireiro é escolher um olhar significativo, é optar por uma das versões do passado, é in-corporar a transitoriedade. A estética nostálgica ganha todo o seu sentido no cabeleireiro de Lara. A nostalgia também se escolhe.

O Complexo da Sala Oval

O estudo psico-sociológico mais desafiante da próxima década está encontrado nos insólitos da realidade portuguesa! Agora que sabemos que a pedofilia é coisa de socialistas, o desafio mais instigante para os nossos investigadores vai ser encontrar o germe da relação entre ideologia partidária e a incidência das perversões sexuais. Não é fácil, pode estar em qualquer lado, talvez a leitura exaustiva das obras de Freud e Lacan ajude. Mas se estes não explicarem, como eu desconfio, ter-se-á que acrescentar aos complexos de Édipo e de Electra, o Complexo da Sala Oval; aquele que explica a relação entre a judicialização do sexo e o poder político.

Conto ou não conto?

O Francisco do Daedalus faz constar junto aos links do seu blogue uma contagem para a votação do melhor blogue de 2003. O Nome do Avatares está entre os 10 Blogues levados a sufrágio. Não sei se vos deva contar que o Francisco é meu amigo de longa data e que a última vez que o vi estava com a beber goronzan após a a mudança do ano civil para 2004. Ná. Isso era arriscado, ia questionar a idoneidade do rapaz e além do mais estaria a esquecer que depois do goronzan ainda empurrou a alheira com uma mini.

Já desço, 2004! A logística dos afectos. act

Coisas de blogger. Dia 31, um carro a apitar lá em baixo e eu a tentar escrever um singelo post para desejar boas entradas à malta, mas como blogspot momentaneamente inoperacional não deixava, lá fui pôr fim ao buzinão privativo sem post que se visse. Em todo o caso creio que chego a tempo, na verdade, agora que a ressaca se foi, é que começa o real desafio de fazer as boas coisas acontecerem, e mais, o desafio de as tornar prováveis nas nossas vidas e não só... Nas "nossas" vidas, portanto. Um Feliz 2004

Fui a Sobral de S. Miguel, uma terra alojada na serra onde só se apanha rede na altaneira varanda de um café, quando está bom tempo. Não estava bom tempo. Resultado, nem uma mensagem de bom ano consegui mandar! É por estas e por outras que realizo como é complexa a logística dos afectos.