Questões sérias

Preocupado. Na capa de uma revista social leio que o casamento de Brad Pitt com Jennifer Aniston está em risco porque a senhora não quer ter filhos. Isto é um sarilho, tanto mais que Brad Pitt quer à força ter um rebento.

Ora, a última vez que o problema se colocou em termos tão mediáticos, Abraão resolveu-o através de uma inseminação não artificial na escrava Agar. Uma bela egípcia, consta. Foi uma confusão. Isaac, o prometido legítimo, lá acabou por nascer da idosa Sara e, por ciumeira, Agar foi corrida daquelas paragens com o seu menino Ismael, o primogénito do patriarca. Se não fosse a prole de Ismael encontrar-se com um tal de Maomé, não havia mundo islâmico e Samuel Huntington não tinha tido ensejo de escrever o Choque de Civilizações. É inegável o faro editorial de Abraão, na origem de três livros de assinalével nomeada: a Bíblia, o Corão e o tal do Huntington. Bem, dizia, Jennifer... Merda, já me perdi.

Jennifer Aniston estará a ser acusada de pôr em causa o matrimónio - certamente por por almas parideiras que não se importavam de prociar com Brad Pitt. Terá as suas razões, seja porque quer preservar as formas do corpinho, seja porque não quer assumir tamanha responsabilidade, ou porque simplesmente o apelo maternal não chegou, o que é certo é que o direito a não ter filhos está algures consagrado na Declaração Universal dos direitos do Homem - estúpido nome para falar de mulheres. Também se percebe a posição do loirinho, como não querer legar tão afamados genes às gerações futuras? Ora, bem podem vir os terapeutas familiares dizer que nestas coisas é melhor falar antes, mas, frequentemente, os enlaces acontecem sem que ninguém pense em filhos: a coisa vem mais tarde ... ou não. Mas, cogitações apartadas, apetece-me pôr uma questão incómoda: e se em vez de não querer ter filhos Aniston não os pudesse ter? E se por isso Brad Pitt quisesse dar de frosques? Que dizer do seu amor?



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