Mementos de revolta

Há um episódio de Hitchcock em que um homem, dado como morto, prestes a ser autopsiado, tenta salvar-se dando sinal da vida que ainda lhe vai. Paralisado, apenas o pode tentar com uma lágrima que deixa escorrer pela face.

Sou confrontado nessa cena com um simbolismo que às vezes me visita. Ali a lágrima vertida constitui a recusa do fatalismo, expressa a esperança num desfecho improvável. Dar de si uma lágrima é ser capaz de lembrar - e isto não é pouco - que "não era para ser assim". E isto tanto vale para mais um atentado no Iraque, para as fomes que já nem vemos, como para as lágrimas que já não choramos.



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