Kinder Bueno


Não sei se já repararam no novo spot da Kinder. Aparecem por lá dois adolescentes surdos a comunicar por linguagem gestual. Estamos sem dúvida no domínio daquilo que alguém designou corporate multiculturalism: a apropriação que as empresas capitalistas fazem, para seu proveito, da celebração da diferença e do multiculturalismo (ex. padigmático, Benneton). Este spot da Kinder pode parecer pouco, mas é também com estas aparições que nos damos conta de pessoas cujas existências tendem a ser tão invisibilizadas nas nossas sociedades. Para um publicitário é da mais refinada argúcia sociológica introduzir a deficiência nas constelações de diferença (entre 6 a 10% da população). Seria giro que naqueles outdoors a la Benneton, em que aparecem gentes de todas cores, surgissem também, com toda a naturalidade, os corpos ditos deficientes: alguém sem um braço, sem uma perna, cego, etc. Choque? Chocante é fingirmos que não existem na continuada reiteração de corpos modelares. (E contra mim falo). Aqui vos deixo a foto que dá a capa a um excelente livro de Lennard Davis. Para os mais lembrados, o meu amigo de Lancaster.



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