E Ela?


Casablanca, Lendas de Paixão, As Regas da Casa, O Monte dos Vendavais, you name it... Muitas são as narrativas em que dois caminhos distintos se desenham mais ao menos nestes termos: De um lado, a mulher que se fica com alguém que não ama, seja por um imperativo ético, por uma prescrição social, pela necessidade de estabilidade, ou pela impossibilidade afectiva de estar só. No reverso, surge o homem que, perdido o amor, se fica vago e solitário, nómada romântico, o eterno exílilado de uma história impossível.

Atento aos nossos mundos da vida, tenho para mim que a construção destas histórias não deixa de revelar uma determinada sensibilidade romântica, mais propensa a privilegiar o infortúnio do homem solitário.
Acho que é de uma temenda injustiça julgarmos ser mais triste a história de Rick do que a de Ilsa. Por isso, quando o avião levanta mostrando-nos a sofrida coragem do homem da gabardine, penso sempre no desespero de Ilsa, no chapéu pousado no colo, penso no seu amanhã, na teimosa inquietude que a adormecerá no quarto de casal. Por Muitas noites.



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