Morreu Eddie Adams

Foto: Eddie Adams
execução de rua

1968: a execução de um Vietcong, foto que seria premiada por um Pulitzer em 1969

Podemos perguntar como consegue um fotógrafo disparar a máqina num momento destes, absolutamente dramático, e talvez, como na foto de Kevin Cater, até nos ocorra perguntar de que lado está o abutre. Mas as reservas, creio, esvaem-se quando consideramos o papel desta imagem cruel para a politização em torno do Vietname. Portanto, mais doo que pensar na feitura do momento, será importante equacionar em que medida os retratos culturais actuam nos mundos da vida. As consequências da representação, pois claro. A foto é poderosíssima, adivinhamos o desfecho, como o advinha a vítima e o homem em fundo. Instantes antes da morte vemos um rosto agonizante, que, inevitavelmente, faz lembrar aquele que Goya nos oferece na no "3 de Maio de 1808". O sofrimento antecipado, o sofrimento vivido e o terror do enigma que se segue - a morte- confundem-se num "flash" que perturba. A violência dos homens e a violência ontológica da morte. Teremos que lidar com a segunda e nunca nos conformar com a primeira.



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