José Cid

Retrato do artista enquanto jovem
Segundo parece, o rasgo ousado e inventivo deve-se aos criativos da JW Thomson. Mas para mim o mérito pessoal vai inteiro para José Cid. Refiro-me, é claro, ao recente anúncio televisivo da Lipton Ice Tea. Nele, o afamado cantor cai de para-quedas, literalmente, impondo a sua presença e talento musical a um grupo de convivas, que, atónitos, observam o seu patétito, revelado ora com um muito jovem "tá-se", ora com umas guitarradas de eurovisão que não lembrariam a um sonho húmido de Bach. Seguem-se uns instantes de um maravilhoso silêncio constrangedor, um incómodo hilariante capaz de nos fazer lembrar aqueles momentos de deliciosa agonia protagonizados por david brent (ricky gervais) na comédia britânica, The Office. Caído do céu, José Cid, a ex-estrela internacional de rock sinfónico, apresenta-se como uma personagem sem noção do seu próprio ridículo, patética, inconveniente. Mas ao sujeitar-se a aparecer neste anúncio, José Cid, o homem, mostra estar profundamente esclarecido do seu lugar no mundo e do capital de anedota que o seu nome suscita. Assim, este spot que José Cid lega à história surge como uma auto-paródia biográfica, uma auto-ironia que reverte todo patético e que nos reconcilia com momentos tão marcantes como com aquele LP em que o cantor aparece nu na capa. Ridículo e triste é mesmo o João Braga a cantar fado.



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