Ficantes

O conceito brasileiro de ficante, o amante ocasional que vai ficando, é uma óbvia negação da narrativa romântica. Isto porque esta narrativa se encontra fortemente fundada na ideia de arrebatamento emocional, havendo nela pouco espaço para a estetização do hábito. O ficante é uma espécie de terceira via entre a relação séria e os encontros furtuitos. É, acima de tudo, um espaço liminar entre duas lógicas relacionais com mais escola, a relação amorosa, namoro se quisermos, e a itinerância erótica - cuja consagração tinha até há bem pouco tempo a marca patriarcal, incorporada na figura do marialva. No entanto, se avançarmos com um uso insuspeito do termo há outro tipo de ficantes: aquel@s que se ficam solitariamente vivendo de ideais.



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